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08/07 - Valor Econômico
Inflação derruba vendas de produtos de beleza
Mal a indústria de higiene pessoal e beleza consolidou os números de 2007 - com faturamento 22,6% maior em relação a 2006 - sai o primeiro levantamento das vendas deste ano, apontando queda no volume vendido de 0,9%

Nem deu tempo de comemorar. Mal a indústria de higiene pessoal e beleza consolidou os números de 2007 - com faturamento 22,6% maior em relação a 2006 - sai o primeiro levantamento das vendas deste ano, apontando queda no volume vendido de 0,9% de janeiro a abril, em relação aos mesmos meses do ano passado.

"Pela primeira vez em 12 anos tivemos um primeiro semestre com crescimento abaixo de dois dígitos", diz João Carlos Basilio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec. Segundo ele, desde 1996, o setor crescia em média 10,9% nos seis primeiros meses do ano. Desta vez, graças à inflação, a indústria deve ter uma elevação no faturamento de 9%.

O número indica apenas crescimento menos acentuado. Ou seja, as vendas permanecem crescendo. Só que mais devagar, como se fosse uma ressaca da euforia de 2007, ano em que o setor comemorou crescimento em vários segmentos.

Em produtos para cabelo, por exemplo, o Brasil passou de terceiro maior mercado mundial para segundo. Assim como em produtos masculinos e higiene oral. Em protetor solar, o país pulou de quinto maior mercado do planeta para terceiro. "Com isso reiteramos nossa posição de terceiro maior mercado de cosméticos e higiene pessoal no geral", afirma Silva. Nesse ranking de países, perdemos posições apenas com produtos para banho: caímos terceiro maior consumidor para quinto. Mas isso não quer dizer que os brasileiros estão tomando menos banho. Ou usando menos sabonete. Na verdade, o faturamento com esses produtos cresceu 15,6% em 2007, em relação ao ano anterior, segundo dados da Abihpec com o instituto Euromonitor. O que fez o Brasil cair na lista foi o maior consumo por parte de chineses e indianos. Os dois países ultrapassaram o mercado nacional, e estão agora em terceiro e quarto lugar, respectivamente.

As razões que impulsionaram esse crescimento têm a ver com a ascensão social que muitos brasileiros tiveram no ano passando, aumentando o mercado consumidor, e com a baixa nos preços graças à queda do dólar e do ganho de escala da indústria. "Um creme anti-rugas que há dez anos custava entre US$ 30 e US$ 40, hoje sai por US$ 20", observa o executivo.

Mas 2008 não deve ser tão festivo quanto 2007. O que preocupa são as variações apuradas pelo instituto de pesquisa Nielsen, nos primeiros quatro meses do ano. Alguns artigos importantes para o setor tiveram uma diminuição drástica de vendas. Destaque para o tombo no volume vendido de produtos pós xampu de 8,7%, e de desodorantes, com 6,2%. Os sabonetes venderam 5% menos em quantidade e os xampus mostraram queda de 4,8%.

O "lobo mau" da história é a alta do petróleo e da energia, já que muitas matérias primas de cosméticos e produtos de higiene vêm do minério. Grandes fornecedores da indústria, como a alemã Basf e a americana Dow, que anunciaram materiais até 25% mais caros este ano. Outros insumos, como o papelão (das embalagens), já tiveram reajustes de 60% em 18 meses. Fora isso, há também o aumento de preço dos produtos de alimentação. "Se a compra do supermercado fica R$ 30 mais cara, o consumidor classe A e B nem sente e não muda de hábitos. Mas para o da classe C, isso é muita coisa e afeta todo seu modo de comprar, principalmente em relação a cosméticos e higiene", afirma Silva.

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